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Alunos portugueses têm das mais

pesadas cargas horárias no 1.º ciclo

inda assim, Portugal continua a ser um dos países que têm mais carga horária no 1.º ciclo, diz a investigadora Maria Isabel Festas. Nos primeiros quatro anos, os alunos somam 3744 horas de aulas.

O estudo, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, chama-se Os tempos na escola - Estudo comparativo da carga horária em Portugal e noutros paísese, além de Maria Isabel Festas, as autoras são Ana Maria Seixas, Armanda Matos, Patrícia Fernandes. As investigadoras destacam o facto de que a diminuição da carga horária que se tem registado ao longo dos tempos não ter incidido nos quatro primeiros anos de escolaridade, “período grandemente responsável pelo maior número de horas que Portugal apresenta” relativamente a outros países.

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Derrota estrondosa. Ora toma!

por alho_politicamente_incorreto, em 27.11.14

Águeda:

Municipalização do Ensino

“chumbada” pela Assembleia

O presidente da Câmara de Águeda defendeu a “Municipalização do Ensino”, mas foi contrariado por Paulo Seara (PS), Paulo Matos (PSD) e Francisco Simões (CDU), desfavoráveis à intenção do executivo.

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“Despeço-me com amizade”. Morreu Sousa Veloso (1926 - 2014).

por alho_politicamente_incorreto, em 27.11.14

Morreu o engenheiro agrónomo Sousa Veloso, o carismático apresentador do programa de domingo da RTP "TV Rural". Faleceu aos 88 anos. A notícia já foi confirmada por fonte próxima da família.

José Sousa Veloso, de origem beirã, mas já nascido em Lisboa, licenciou-se agronomia, em 1954, pelo Instituto Superior de Agronomia.

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As palavras da Vereadora Catarina Mendes ao “Correio de Albergaria”.

por alho_politicamente_incorreto, em 23.11.14

CatarinaMendes.jpg

Ponto prévio: sou professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB) em exercício de funções na Escola Básica (EB) de Albergaria. Contudo, as opiniões aqui veiculadas resultam do exercício que faço enquanto cidadão, eleitor e contribuinte no usufruto da sua liberdade de pensamento e de expressão, constitucionalmente consagradas.

Em consequência, debrucemo-nos agora sobre as declarações prestadas pela vereadora para a Educação da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, Catarina Mendes, ao jornal “Correio de Albergaria”, insertas na página 9, na sua edição do passado dia 19 de novembro.

«O problema da Escola de Albergaria é bastante mais complexo, não é um centro escolar, é uma escola do Ministério da Educação …A  escola foi dimensionada com uma capacidade inferior às necessidades desta mancha urbana. (…) é que os pais não se sentem muito atraídos por estabelecimentos locais desta dimensão onde há maior concentração dos problemas e não sente o apoio e a segurança …»

 

O diagnóstico de Catarina Mendes (CM) quanto às lacunas estruturais da EB de Albergaria até pecará por defeito, quiçá, polvilhado com uma pitada de generosidade. Já aqui elenquei, detalhada e circunstanciadamente, muitos dos aspetos apontados pela edil. Mas, desta sucessão de conclusões que só surpreenderão os mais distraídos, impõe-se saber: o que fez CM e o executivo a que pertence para, junto das autoridades e poderes competentes, corrigir ou, pelo menos, atenuar tão graves falhas e insuficiências? Sabendo que ali existirá «maior concentração de problemas» e reconhecendo que os pais «não sentem apoio e segurança», que iniciativas foram já desencadeadas visando a alteração do referido estado de coisas?

Na verdade, não basta vir para o principal arauto da terra dar corpo e voz a consensos generalizados sem antes, ou simultaneamente, dar consequência às suas avaliações. É que a qualquer decisor público não se espera que (só) saiba diagnosticar. Exige-se, acima de tudo, que saiba AGIR em conformidade. E neste particular, CM nada disse, podendo deixar a preocupante impressão de que nada fez ou que, pura e simplesmente, não sabe o que fazer.

 

 

«… a qualidade do ensino é posta em causa pelos pais em relação a esta escola. O outro problema de que os pais frequentemente falam é a falta de apoio, falta de pessoal, tutela em relação à escola, mas assume-se que é Parque Escolar do Ministério da Educação pelo que não podemos intervir aí nessa parte.»

 

 A questão da falta de apoio e de pessoal entronca na apreciação feita anteriormente pelo que se aguarda, com crescente interesse, pelas iniciativas camarárias em ordem a atender a tão legítimas preocupações. O mais grave estará no início desta transcrição e contende com a «qualidade do ensino que é posta em causa pelos pais em relação a ESTA escola.» Espero bem que CM já tenha verbalizado, nos locais e órgãos competentes onde tem assento por inerência, mormente no Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha, tão graves considerações. E que o tenha feito repetida e insistentemente e sem sucesso, fundamentando as suas considerações. Só assim se poderá aceitar e compreender tamanha contundência. É que, se assim não foi, estas declarações terão sido tão desnecessárias quanto evitáveis. Quando se exercem funções de interesse público, há uma dimensão institucional que importa observar e preservar sob pena de se causar sério prejuízo à prossecução do interesse da coletividade. Os estados de alma, consubstanciados em convicções vincadamente subjetivas, não constituem atributo que otimize a ação pública. De resto, não se conhecem ponderações análogas de CM ao Agrupamento de Escolas da Branca ou ao Colégio de Albergaria.

Ademais, quando se põe em causa, sem mais, «a qualidade do ensino» de uma escola estará igualmente implícita (ou explicita) uma crítica à capacidade e competência do seu corpo docente. Em abstrato e no caso concreto, não se afigura justa e fundamentada semelhante insinuação que, em nenhuma circunstância, se pode verbalizar com ligeireza com risco de diminuir a autoridade de profissionais altamente qualificados que, nos últimos anos, têm (como poucos) sofrido severamente com a crise em que mergulhou o país. Tão ou mais injusto quando a maioria desses profissionais, apesar das deficiências estruturais apontadas por CM, tudo têm feito para superar tão penosas dificuldades, as mesmas que a vereadora albergariense se limitou a enunciar. Lá no fundo e a pretexto de supostas confusões de tutela (se cabe à autarquia ou ao Ministério a responsabilidade das instalações) - que não podem justificar a aparente inação generalizada da edilidade no que concerne à EB de Albergaria - apontar o dedo acusatório a tudo e a todos quando, em contraponto, pouco ou nada se fez para, no quadro das suas incumbências, resolver os problemas de que se faz alarde conhecer, é um monumental tiro no pé. Nem a escola pública precisa de mais anátemas.

Parece que a vereadora Catarina Mendes não andou bem nesta (infeliz) intervenção pública. Esperemos que a sua ação futura ajude a esbater este deslize. É que a população prefere habitualmente autarcas que pequem por ação do que por omissão.

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Violência doméstica - essa chaga social

por alho_politicamente_incorreto, em 22.11.14

Texto de José Manuel Alho

As cadeias portuguesas, de acordo com os números de outubro dos serviços prisionais, têm quase 500 presos a cumprir pena por violência doméstica (VD). Ainda assim, o número ameaça não parar de subir. Só este ano já morreram 32 mulheres em consequência daquele crime. Aliás, o Programa de reabilitação acolheu 556 agressores nos últimos 5 anos. Mais: se alargarmos a ponderação aos últimos dez anos, chegaremos ao trágico número 400 mulheres que morreram em Portugal por violência doméstica.

Entre nós, só a partir da década de 80 do século passado, a VD foi identificada como um problema social. Em abono da verdade, cumpre reconhecer que a Constituição da República de 1976 e o Código Civil de 1978 alteraram o enquadramento legal desta questão, ao defenderem a igualdade entre homens e mulheres e a partilha de decisões sobre a gestão dos bens comuns do casal, abrindo caminho a uma sucessão de alterações legislativas que levaram, nos dias de hoje, ao envolvimento esclarecido dos cidadãos no combate a esta dramática chaga social.

De facto, a relevância da VD passou a estar vertida em legislação de cariz criminal: em 1982, na revisão do Código Penal sendo, pela primeira vez, referida, de forma independente, a criminalização de “maus-tratos” entre cônjuges (art.º 153º). A partir de então, a legislação evoluiu, permitindo ir ao encontro de um conjunto essencial de recomendações e orientações internacionais.

As Nações Unidas definem violência como «o uso intencional da força física ou poder, ameaça ou real, contra si próprio, outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade, que resulte ou tenha uma alta probabilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação».

Observando o devir imparável da humanidade, diversos acontecimentos alteraram progressivamente o entendimento da violência entre humanos. Hoje e do ponto de vista conceptual, prevalece o entendimento postulado logo no 1.º artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos quando afirma que «todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade», o qual exclui qualquer tipo de violência.

Obedecendo à mesma lógica de um enquadramento abrangente, está a definição enunciada pelo IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica, 2011-2013 que se referiu à violência doméstica como «todos os atos de violência física, psicológica e sexual, perpetrados contra pessoas, independentemente do sexo e da idade [e.g., cônjuge, companheiro/a, filho/a, pai, mãe, avô, avó], cuja vitimação ocorra em consonância com o conteúdo do artigo 152.º do Código Penal. (…)» Este conceito foi entretanto alargado «a ex-cônjuges e a pessoas de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação».

(...) esperar-se-ia que, nesta sociedade flagelada pelos fortes constrangimentos de uma crise desigualmente repartida, o governo se preocupasse em atenuar muitas das consequências provocadas pelas severas medidas que impôs. Pura e simplesmente, essa sensibilidade, a existir, não foi (ainda) sentida pelo povo.

 

De acordo com o Eurobarómetro Especial da Comissão Europeia (EECE), a consciência relativamente à violência doméstica em Portugal é muito elevada - 99% das pessoas portuguesas inquiridas já ouviram falar sobre violência doméstica. 86% das que estão familiarizadas com o termo pensam que a violência doméstica é comum em Portugal. Na realidade, 21% conhecem uma mulher no seu círculo de familiares ou de pessoas amigas que já foi vítima de violência doméstica (TSN Opinion and Social, 2010).

 

Consequências e baixo ímpeto governamental

Apesar da tragédia inscrita nos números, crescentemente alarmantes, o nosso governo aparenta um amorfismo generalizado, que importa verberar. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 102/2013, de 31 de dezembro, contextualizando a implementação do V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género 2014-2017, afigura-se manifestamente insuficiente face ao imperativo de assegurar «uma proteção mais eficaz das vítimas e de uma formação mais intensa dos(as) profissionais que trabalham na área, seja na investigação e punição dos crimes, seja no contacto direto com as vítimas em estruturas de apoio e de acolhimento.»

A Secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, afirmou recentemente que «é muito importante» que «toda a comunidade desperte» para o problema da violência doméstica e denuncie os casos que constituem «uma grosseira e grave violação» dos direitos humanos. Um apelo tão natural como inócuo. A própria Teresa Morais deveria protagonizar um “despertar” mais veemente do executivo a que pertence em vez do aparente distanciamento que indiciará baixa iniciativa em matéria tão delicada quanto esta.

Considerando que  violência contra as mulheres é um fenómeno multidimensional porque assume também várias formas - entre as quais a violência doméstica, o assédio sexual, a violação, o tráfico, a mutilação genital, assim como pode manifestar-se através de violência física, emocional, verbal, económica, sexual, psicológica, entre outras - esperar-se-ia que, nesta sociedade flagelada pelos fortes constrangimentos de uma crise desigualmente repartida, o governo se preocupasse em atenuar muitas das consequências provocadas pelas severas medidas que impôs. Pura e simplesmente, essa sensibilidade, a existir, não foi (ainda) sentida pelo povo.

É prioritário abordar esta problemática de forma inteirada e de maneira a atingir toda a coletividade. No entanto, e mais do que uma simbólica prédica de boas intenções, aceite-se que a prevenção e o combate contra a violência doméstica dificilmente surtirão efeito se não houver vontade política que garanta os recursos necessários.

Esta deveria ser uma área prioritária de qualquer elenco governativo. Não só por uma questão de brio civilizacional, mas também em razão dos custos sociais e económicos da violência contra as mulheres. Com efeito, num estudo realizado em 2003 (Lisboa et al., 2003), concluiu-se que:

  • a probabilidade de uma mulher vítima de violência ter filhos doentes aumenta para cerca do dobro, quando se analisam só os atos de violência que ocorreram nos últimos doze meses;
  • entre as mulheres que têm filhos/as a estudar, enquanto apenas 0,6% das mulheres não vítimas considera que o ambiente de trabalho em casa para os filhos e/ou filhas não é bom. Esta percentagem sobe para 13,6% no caso das mulheres que foram vítimas de violência, depreendendo-se consequências negativas para o desempenho escolar das próprias crianças;
  • 15,2% das mulheres vítimas afirma que a violência que sofreram teve repercussões negativas na sua vida profissional;

Por fim, os resultados obtidos naquela investigação evidenciam igualmente que um amplo conjunto de lesões, sintomas e doenças estão estatisticamente associados à vitimação, tanto em termos de saúde física como de saúde psicológica.

Em resumo, não faltam razões para que aceitemos integrar uma causa que, o quanto antes, deverá transformar-se num desígnio verdadeiramente nacional.

 

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As prioridades da FNE

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Governo insiste em introduzir, da pior forma, o Inglês no currículo do 1º Ciclo

 

«O Conselho de Ministros aprovou, no passado dia 13 de novembro, um conjunto de medidas que tornam obrigatória a lecionação do Inglês, no 1º CEB, a partir do 3º ano de escolaridade, retirando-o das AEC e integrando-o na Componente Letiva dos alunos.

 

A FENPROF teve oportunidade de manifestar o seu desagrado pela forma como o processo foi conduzido desde o seu início, sem que houvesse um debate aprofundado a respeito das implicações desta e de outras medidas que envolvem o setor do 1º ciclo do ensino básico, objeto de sucessivos experimentalismos. A entrarem em vigor já no próximo ano letivo, são medidas que afetarão, de forma indelével, este setor, que pressupõe um modelo de docência centrado na figura de um professor em regime de monodocência (tal como previsto na Lei de Bases do Sistema educativo), que poderá trabalhar em equipa com outros docentes em regime de coadjuvação. Mas, neste caso, não é disso que se trata.

Com a criação de um grupo de recrutamento específico para a lecionação do Inglês, abrem-se as portas para mudanças mais profundas no modelo atual, sem que isso tivesse sido objeto de análise, discussão e avaliação. A FENPROF defende um amplo debate em torno desta questão, tendo já exposto as suas posições junto da tutela, aquando da reunião negocial para a criação do grupo de recrutamento de Inglês.

A FENPROF defende que o ensino do Inglês deve ser introduzido, de forma lúdica, o mais cedo possível, de modo a dotar as crianças e jovens de competências linguísticas, ao nível da oralidade, numa 2º Língua, que poderá ser, ou não, o Inglês. Contudo, considera que a introdução, a título obrigatório, desta disciplina no currículo do 3º e 4º anos, do 1º CEB, carece de uma reestruturação dos programas/currículo em todos os níveis de ensino. Tais alterações, pressupõem estudo e fundamentação teóricas que as sustentem, daí considerarmos fundamental o envolvimento das instituições de formação de professores na discussão e apresentação de propostas.

Acresce a tudo o que foi dito anteriormente, um aumento considerável da componente letiva dos alunos, em mais 2 horas, que, na opinião da FENPROF não deverá acontecer num escalão etário tão baixo, pois a mesma poderá representar, do ponto de vista pedagógico, uma maior saturação em relação à escola. Os alunos portugueses já são, dos que têm maior carga letiva entre os países da União Europeia, como apontam as conclusões do Relatório “Tempo Letivo Recomendado no Ensino Obrigatório Europeu”, quando comparada a situação em Portugal com a de outros países da União Europeia. Se passarmos de 25 para 27 horas semanais de aulas, o problema ainda se agravará.

O mesmo relatório refere ainda que Portugal é dos países em que os alunos passam mais horas na escola, não se traduzindo isso, porém, em melhores resultados escolares.

Relativamente à questão da formação dos professores, a FENPROF defendeu, desde sempre, que a disciplina de Inglês deveria ser lecionada por docentes do 1º CEB habilitados para o efeito e foi crítica em relação à criação de um grupo de recrutamento específico, por não fazer qualquer sentido no quadro atual. O MEC impôs essa solução mas, ainda assim, subsistem dúvidas quanto à questão das Habilitações para a Docência neste Grupo, faltando clarificar: Quem tem a formação? Que formação? Quem dará a formação complementar? Quem a certificará? Quando se iniciará a formação?

 

Quanto a esta matéria, a FENPROF tem propostas concretas, que teve oportunidade de apresentar à tutela, nomeadamente:

1. Nos casos em que o professor titular de turma do 1º CEB tenha formação adequada para o ensino do Inglês (número mínimo de créditos a definir com as instituições formadoras) ele assuma essa área;

2. Quando tal não aconteça, que se recrutem, prioritariamente:

- Professores do grupo 110 com formação em Inglês e que não estejam colocados;

- Docentes habilitados para o Inglês no 1º CEB;

- Docentes de outros grupos de recrutamento profissionalizados para o

  ensino do Inglês, desde que frequentem ações de formação para a lecionação no 1º CEB.

 

A FENPROF lembra ainda a sua posição relativamente à questão da avaliação dos alunos na disciplina de Inglês, que deverá ser interna, qualitativa e não sujeita a exames e retenções.

O Secretariado Nacional da FENPROF
18/11/2014» (sic)

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O Inglês no 1.º Ciclo e o calvário dos professores primários.

por alho_politicamente_incorreto, em 14.11.14

Por mais esforçado que seja o expediente legalista de asseverar que tamanho empreendimento se fará em regime de coadjuvação, até para poupar aliviar as AEC, o certo é que foi desferida a derradeira machadada no regime de Monodocência.

 

Confirmou-se. Ontem ouviu-se o requiem que aqui havia previsto. O Conselho de Ministros aprovou «um conjunto de medidas que permitirá a introdução do Inglês como disciplina obrigatória do currículo a partir do 3.º ano de escolaridade. Os alunos portugueses passarão assim a ter 7 anos consecutivos de estudo obrigatório desta língua de comunicação internacional.»

O 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) persiste como o nível de ensino mais flagelado com toda a sorte de experiências tragicamente camufladas de “inovações”. E não esqueçamos a trapalhada com o calendário escolar no Pré-escolar, ainda que, até ver, a Monodocência não esteja em causa. Apesar de faltarem informações que detalhem adequadamente mais uma experiência inovação, a tutela foi lesta a proclamar ao mundo que, «de acordo com o calendário estabelecido, todos os alunos que ingressem no 3.º ano de escolaridade a partir do próximo ano letivo 2015/2016 terão, obrigatoriamente, a disciplina de Inglês, com pelo menos duas horas semanais.»

Com efeito, parece que ninguém cuida de ponderar previamente o respeito devido às crianças e aos seus impenhoráveis direitos. Apesar dos impostos pagos pelos pais, estão distribuídas por turmas numerosas, com vários colegas com necessidades educativas especiais também eles em dificuldade(s), mergulhados em múltiplas exigências para as quais ainda não deterão a necessária maturidade intelectual, emocional e até física. Pergunta simples, mas óbvia: uma criança de 8/9 anos de idade suportará 27 horas (30 horas com as AEC) encerrada num mesmo espaço, com atividade invariavelmente dirigidas por adultos?

Tradicional e usualmente diminuídos por todos quanto, por ação (governos) ou omissão (sindicatos), têm imposto e consentido um vasto e insustentável leque de indignidades – atente-se, por ser o mais recente, ao exemplo vertido na provocação inovação de retirar o intervalo do seu horário compensando-a com a obrigatoriedade de assegurar a sua vigilância (?!) – os docentes do 1.º CEB estão irremediavelmente entregues ao calvário que alguns desbravaram desde 2009, com negligente experimentalismo.

 

Reforço: é urgente suscitar o debate público sobre a questão da ocupação do tempo escolar das crianças e, de alguma maneira, alertar a sociedade para o imperativo de observar as suas necessidades e interesses que poderão estar em causa quando existem aulas atrás das aulas, sem tempo para brincar. As crianças não suportam tamanha violência. Desejo e espero que o bom senso, se necessário com a pressão das Associações de Pais esclarecidas e sensíveis para proteger os seus filhos destas experiências inovações, venha (um dia destes) a prevalecer.

Por mais esforçado que seja o expediente legalista de asseverar que tamanho empreendimento se fará em regime de coadjuvação, até para poupar aliviar as AEC, o certo é que foi desferida a derradeira machadada no regime de Monodocência. Isto é: os professores que enformam o grupo de recrutamento mais numeroso (GR 110 – 1.º CEB) ficaram com o pior de vários mundos: perderam o regime de aposentação que salvaguardava a especificidade da sua ação e, para cúmulo, mantiveram um horário semanal de 25 horas letivas, ao contrário dos pares de outros níveis de ensino (com 22 tempos letivos), onde a noção de tempo letivo (de 45 min) configura uma inaceitável desigualdade. 

Tradicional e usualmente diminuídos por todos quanto, por ação (governos) ou omissão (sindicatos), têm imposto e consentido um vasto e insustentável leque de indignidades – atente-se, por ser o mais recente, no exemplo vertido na provocação inovação de retirar o intervalo do seu horário compensando-a com a obrigatoriedade de assegurar a sua vigilância (?!) – os docentes do 1.º CEB estão irremediavelmente entregues ao calvário que alguns desbravaram desde 2009, com negligente experimentalismo. Com os processos de megafusões, foram praticamente afastados da gestão dos agrupamentos, tendo a sua influência nos Conselhos Pedagógicos sido reduzida a um mínimo simbólico e assaz inócuo.

Por isso, acredito que as 40 horas letivas para as crianças da primária deixarão, em breve, de ser um objetivo para se tornarem num mero ponto de partida.

 

Uma vez mais, a máquina sediada em Lisboa afana-se a reclamar integralmente os louros de mais um «reforma» quando faz notar que, «Embora seja reconhecida como a verdadeira língua franca, utilizada para a comunicação científica, turística ou de negócios, o Inglês só foi introduzido como obrigatório no currículo em 2012, aquando da Revisão da Estrutura Curricular realizada por este Governo.» Porque já nos tentaram convencer de tanta coisa, recorrendo a argumentações tão pífias quanto absurdas, a verdade é que a porta para a peta, pomposamente travestida de “inovação”, abriu-se ao infinito. E como muito bem preveniu Ernest Renan, «A estupidez humana é a única coisa que dá uma ideia do infinito.»

Por isso, acredito que as 40 horas letivas para as crianças da primária deixarão, em breve, de ser um objetivo para se tornarem num mero ponto de partida.

O Reino Unido deve estar agora, com requintada ironia, a exaltar com esta opção dos tugas. Os britânicos têm agora a certeza de que, à custa de profissionais altamente qualificados mas tragicamente mal pagos por um governo que não o seu, terão assalariados com melhor domínio da sua língua para assim melhor atenderem às suas exigências e caprichos.

Sem grande perspetiva de futuro que não seja a acentuada e precoce degradação da sua saúde intelectual, emocional e física, verão os seus horários severamente mutilados para satisfazer aos interesses e expectativas de outros colegas e, progressivamente, ver-se-ão empurrados para se amanharem com as AEC quando os alunos, exaustos, só desejarem, ao final do dia, descomprimir de tamanha prisão. Mas, cúmulo da ingratidão, a quem se exigirá, com suprema hipocrisia, o cumprimento dos programas? Acertou. Ao pobre do professor do 1.º CEB.

 

Entretanto, os professores do 1.º CEB continuarão afogados em insanos afazeres administrativos, em tudo comparáveis (e até ultrapassarão em exigência e quantidade) às atribuições legalmente reconhecidas, por meio de reduções horárias, aos demais pares com Direção de Turma. Porque se promete o Inglês em regime de coadjuvação, adivinha-se (mais) um acréscimo de trabalho ao docente titular de turma traduzido num preenchido leque de grelhas excel e outros relatórios que os burrocratas mestres muito apreciam e com os quais deliram se, imagine-se, resultarem das filantrópicas reuniões de/para “articulação” e “reflexão”.

Sem grande perspetiva de futuro que não seja a acentuada e precoce degradação da sua saúde intelectual, emocional e física, verão os seus horários severamente mutilados para satisfazer aos interesses e expectativas de outros colegas e, progressivamente, ver-se-ão empurrados para se amanharem com as AEC quando os alunos, exaustos, só desejarem, ao final do dia, descomprimir de tamanha prisão. Mas, cúmulo da ingratidão, a quem se exigirá, com suprema hipocrisia, o cumprimento dos programas? Acertou. Ao pobre do professor do 1.º CEB.

Em razão do exposto, mantenho: o Ministério da Educação e Ciência deveria, o quanto antes e pelo respeito devido à dignidade profissional destes docentes, decidir uma de duas coisas: ou mantém que no 1º CEB existe monodocência com 25 horas mas, por uma questão de elementar justiça, recupera o regime de aposentação anteriormente aplicável ou, em alternativa, assume que pretende acabar com a monodocência mas equipara a carga horária à existente em outros ciclos (22 tempos letivos), uniformizando a noção de tempo letivo. O que não pode manter-se é esta situação onde uns SÓ perdem…

Existirá, quando este ano escolar terminar, uma diferença de 14 640 minutos de trabalho letivo a mais prestado pelos professores primários que não encontra, no atual quadro legal, qualquer (re)compensa ou discriminação positiva.

Será isto justo? Será isto defensável? Será isto tolerável?

 

É que importa fazer as contas para, com números, se ter uma ideia da desigualdade vigente. Os professores do 1.º CEB têm um horário de 40 horas semanais, das quais 25 são de efetivo trabalho letivo. Os docentes dos níveis imediatamente subsequentes, trabalhando as mesmas 40 horas, têm um horário de 22 tempos letivos, mas o tempo letivo tem uma duração de apenas 45 minutos. Isto implica que, ao fim de uma semana, os docentes do 1.º CEB lecionam 1 500 minutos por comparação aos 990 minutos dos seus pares. Recebendo o mesmo que os seus colegas, os professores primários, no final de um mês de aulas, trabalharão, em contacto direto com crianças de tenra idade, mais 2 040 minutos. No final do corrente ano letivo, os docentes do 1.º Ciclo terão dado aulas durante 48 300 minutos. Os colegas, a partir do 2.º Ciclo, terão – atente-se –  lecionado 33 660 minutos. Existirá, quando este ano escolar terminar, uma diferença de 14 640 minutos de trabalho letivo a mais prestado pelos professores primários que não encontra, no atual quadro legal, qualquer (re)compensa ou discriminação positiva.

Será isto justo? Será isto defensável? Será isto tolerável?

José Manuel Alho

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Quiçá...

por alho_politicamente_incorreto, em 13.11.14

PB.jpg

 

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Não diga(m)?!...

por alho_politicamente_incorreto, em 13.11.14

Mau comportamento é fruto da educação dada pelos pais desde o  berço,

segundo uma investigação 

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